Senador desembarcou em Miami com a família após passar pela Argentina e pelo Equador, três dias depois da derrota presidencial.

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), depois de uma viagem que passou pela fronteira com a Argentina e teve escala no Equador. A chegada a Miami ocorre apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibia o senador de deixar o Brasil.

O parlamentar do PL viajou com a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas. O deslocamento foi concluído três dias após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial.

A sequência de acontecimentos coloca a viagem no centro de uma controvérsia judicial que envolve a saída do senador do território brasileiro durante a vigência de uma restrição determinada pelo STF.

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após trajeto por três países

O ponto decisivo da viagem ocorreu na noite de terça-feira (27). Às 22h50, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina.

A Direção Nacional de Migrações argentina confirmou a entrada dos quatro viajantes. O órgão informou que eles apresentaram documentos válidos e passaram pelo controle migratório sem impedimentos naquele país.

Depois da travessia, o grupo embarcou em um avião particular operado pela Baires Fly. O primeiro destino da aeronave foi Guayaquil, no Equador, onde houve uma parada antes da etapa final até a Flórida.

O jato pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na manhã desta quarta-feira.

A confirmação de que Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos encerra as dúvidas sobre o destino imediato da viagem, mas não esclarece os possíveis efeitos judiciais de sua saída do Brasil.

O que determinou o STF antes da viagem

A sequência de deslocamentos ganhou dimensão política e judicial porque o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega dos passaportes de Flávio e proibido sua saída do território brasileiro.

A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a operações financeiras envolvendo o financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

Na segunda-feira (26), o senador divulgou um vídeo em que relatou ter sido procurado por agentes da Polícia Federal para receber a notificação judicial. Ele criticou a determinação.

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após essa decisão, enquanto a investigação que motivou a restrição permanece sob responsabilidade das autoridades brasileiras.

A passagem regular pela imigração argentina não altera, por si só, a existência da ordem judicial brasileira. Eventuais consequências pelo descumprimento dependerão de novas decisões das autoridades competentes.

Como a viagem se tornou um caso internacional

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos em um momento de repercussão da eleição brasileira e de declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o senador.

Antes da confirmação da chegada, Trump afirmou que aprovaria a entrada de Flávio e dos familiares no país. O presidente americano também fez críticas ao resultado da disputa presidencial no Brasil.

As declarações acrescentaram uma dimensão diplomática ao episódio, embora não representem, por si só, uma decisão formal sobre eventual pedido de proteção ou permanência do senador em território norte-americano.

O que acontece depois da chegada a Miami

Com o pouso da aeronave, a atenção se volta para os possíveis desdobramentos judiciais da viagem.

A chegada aos Estados Unidos não suspende automaticamente a restrição imposta pelo STF nem define quais providências poderão ser adotadas diante de seu descumprimento.

O registro da passagem pela Argentina e o acompanhamento da aeronave confirmam etapas importantes do trajeto realizado pelo senador e sua família.

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após uma travessia documentada pelas autoridades argentinas e um voo acompanhado por serviços de monitoramento aéreo.

A questão central permanece na esfera jurídica: quais medidas poderão ser tomadas diante da saída do país durante a vigência da proibição judicial.