Irã diz que Líbano é parte do cessar-fogo e Israel rejeita ampliação da trégua

Irã diz que Líbano é parte do cessar-fogo firmado por duas semanas com os Estados Unidos, mas Israel rejeitou essa interpretação nesta quinta-feira, 9 de abril, e afirmou que continuará atacando o Hezbollah. A divergência surgiu após uma nova onda de bombardeios israelenses no Líbano, que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixou 254 mortos na quarta-feira, 8 de abril.

A posição iraniana foi apresentada por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã. Em publicação na rede X, ele afirmou que o Líbano e o chamado “Eixo da Resistência” formam uma parte inseparável do cessar-fogo e advertiu que eventuais violações terão custo e resposta forte.

📌 Entenda melhor: por que a interpretação do Irã sobre o Líbano amplia a disputa além do texto original da trégua

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Irã diz que Líbano é parte do cessar-fogo, mas Israel mantém ofensiva

Do lado israelense, a resposta veio em tom oposto. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel seguirá atacando o Hezbollah “com força, precisão e determinação” e disse que qualquer ação contra civis israelenses será respondida. A reportagem também informa que Israel rejeitou pedidos internacionais para ampliar o alcance da trégua entre Washington e Teerã e incluir o front libanês no entendimento.

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A disputa diplomática ganhou mais peso porque os Estados Unidos também sinalizaram que não veem o Líbano como parte do acordo. Segundo o texto, o vice-presidente JD Vance afirmou que o país não integra a trégua e indicou que uma reação iraniana por causa desse ponto poderia prejudicar as negociações.

Enquanto isso, o governo libanês decretou luto nacional pelas vítimas dos bombardeios. O Hezbollah, por sua vez, declarou ter lançado foguetes contra Israel em resposta ao que classificou como violação do acordo. No plano internacional, líderes europeus elevaram a pressão: a chefe da diplomacia da União Europeia disse que as ações israelenses colocam o cessar-fogo sob forte pressão, e o chanceler francês classificou os ataques como inaceitáveis.

Negociações e risco de colapso da trégua

A controvérsia ocorre às vésperas de negociações previstas no Paquistão. De acordo com a reportagem, o próprio futuro dessas conversas já é tratado com incerteza, especialmente após a embaixada iraniana no país apagar uma publicação que indicava a chegada de uma delegação, sem esclarecer se a visita seria mantida.

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Outro foco de tensão é o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O Irã anunciou rotas alternativas para navios por causa do risco de minas marítimas, enquanto a Casa Branca classificou como completamente inaceitável qualquer tentativa de bloqueio da passagem.

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Além do impasse militar e diplomático, o contexto humanitário segue se agravando. O alto comissário da ONU para direitos humanos descreveu como horrível a escala de mortes no Líbano, e testemunhas relataram cenas de pânico em Beirute durante os ataques, com fumaça nas ruas e correria entre moradores.

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