Flamengo usou oxigênio no vestiário para reduzir os efeitos da altitude em Cusco e deixou a estreia na Libertadores com avaliação interna positiva. A vitória por 2 a 0 sobre o Cusco FC, nos 3.350 metros acima do nível do mar, reforçou a leitura de que o planejamento do clube funcionou.

Mais do que o placar, a resposta física do time virou um ponto central da análise rubro-negra. O principal sinal considerado positivo foi o fato de ninguém ter passado mal antes ou durante a partida, cenário tratado internamente como êxito em uma das situações mais delicadas do calendário sul-americano.

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Flamengo usou oxigênio no vestiário e controlou o desgaste

A preparação começou antes da bola rolar. O Flamengo chegou a Cusco com 22 horas de antecedência, dormiu na cidade e apostou em um hotel com quartos pressurizados, estrutura usada para ampliar a entrada de oxigênio e reduzir a sensação de altitude.

No estádio, a estratégia teve um complemento direto.

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O vestiário contou com cilindros de oxigênio, usados por alguns atletas no intervalo por precaução. Léo Pereira confirmou o recurso e afirmou que o elenco seguiu as orientações médicas para suportar melhor as adversidades da partida em altitude.

Segundo o zagueiro, o time entrou em campo com a ideia de fazer um jogo inteligente, evitando aceleração excessiva e controlando melhor as ações. A avaliação do grupo era de que insistir em velocidade o tempo inteiro poderia aumentar o desgaste e comprometer a execução do plano.

Vitória reforça leitura interna do Flamengo

A atuação consolidou essa percepção. O Flamengo suportou 101 minutos de jogo, contando os acréscimos, e conseguiu manter o controle da partida mesmo com sinais evidentes de cansaço em alguns momentos.

Bruno Henrique e Ayrton Lucas estiveram entre os jogadores que mais sentiram os efeitos físicos.

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Bruno Henrique foi substituído apenas aos 39 minutos do segundo tempo, enquanto Ayrton Lucas permaneceu em campo até o fim. Durante a etapa final, Leonardo Jardim chegou a chamar Varela para entrar, possivelmente improvisado na esquerda, mas desistiu da troca.

Arrascaeta, que entrou no decorrer do jogo, resumiu a atuação como sólida e controlada. O meia uruguaio ainda marcou o segundo gol da vitória e, de acordo com a apuração da matéria, não precisou recorrer ao oxigênio extra.

Quartos pressurizados fizeram parte do plano

Os quartos pressurizados também integraram a logística montada para a partida. Jogadores que dormiram nessa estrutura relataram ao ge que não perceberam grande diferença, mas o clube considerou positiva a combinação de medidas usadas antes e durante o confronto.

A avaliação interna levou em conta não apenas o resultado, mas a ausência de problemas mais sérios e a capacidade do time de corresponder em campo. Esse entendimento ganhou peso porque a recomendação mais conhecida para equipes pouco acostumadas à altitude costuma ser chegar poucas horas antes do jogo, e o Flamengo adotou um intervalo maior, compensado por recursos específicos.

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Água gelada incomodou mais do que a altitude

No pós-jogo, a principal reclamação não foi respiratória. Com temperatura em torno de 8ºC no horário da partida, os jogadores se irritaram com a falta de água quente nas duchas do estádio. Como a delegação ainda dormiria mais uma noite em Cusco, a maioria preferiu tomar banho no hotel.

A apuração do ge indicou que havia água quente no vestiário, mas o sistema do aquecedor demorava para aquecer. A primeira leva de jogadores fechou o registro ao terminar o banho, e os demais voltaram a encontrar água fria quando chegaram às duchas.

Diante disso, a delegação deixou o estádio e seguiu para o hotel, que fica a menos de 10 minutos do Garcilaso de la Vega. Em tom de brincadeira, Arrascaeta resumiu o clima ao dizer que ninguém podia se gripar naquele momento.

O que a noite em Cusco deixou

A estreia rubro-negra em Cusco terminou com dois registros centrais. O primeiro foi a vitória por 2 a 0 fora de casa, em condições consideradas hostis pela altitude. O segundo foi a avaliação de que o planejamento adotado pelo Flamengo cumpriu seu papel, com uso de oxigênio no vestiário, controle físico ao longo do jogo e ausência de mal-estar grave entre os jogadores.

No fim, o maior desconforto do vestiário não veio da falta de ar. Veio da água gelada.

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